Eu nasci numa fazenda situada no sertão do interior do Estado Ceará, onde vivi, sem contato com a vida urbana, até os meus 12 anos de idade. Décimo segundo de uma família com 24 filhos, lá tive uma vida tranquila, repleta de imagens da natureza e de experiências vivenciadas durante as plantações, as colheitas, os banhos de açude e de rio, e, principalmente, na contemplação da fauna e da flora da caatinga durante as caçadas em que os meninos, filhos dos moradores da fazenda, eram os protagonistas. Lá estudei e aprendi numa escola em que predominavam características de borrosidade. A palavra borrosidade, tomada como empréstimo do espanhol – borrosidad – dá a ideia de borrado, impreciso, incerto, não precisamente determinado. Na Língua Portuguesa não existe tradução para os termos originais do inglês fuzzy e fuzzyness, termos da lógica fuzzy.

Aquela escola, instalada numa sala, na casa da fazenda de meu genitor, era, portanto, uma diferenciada. Era escola, porque nela havia alunos, se ensinava, se aprendia, se avaliava e se desenvolvia o ser. E não havia separação por séries ou idade, estudavam todos juntos, meninos e meninas, desde crianças com cinco a adolescentes com 18 anos, mas eram individualmente atendidos pelo professor, chamado de “mestre”. Não era escola, porém, porque não era reconhecida como tal, nem pelo Município, muito menos pelo Estado. Não era uma escola oficial. O mestre, por sua vez, era um professor leigo que estudara, numa escolinha como essa, apenas por um mês e dez dias. Não era um professor oficial, mas era um exímio contador de histórias, principalmente sobre a arte de viver com dignidade. A escola apresentava, portanto, características de borrosidade em vários de seus aspectos.

Além disso, a escola não funcionava com regularidade, pois o professor era itinerante. O mestre sentava sua mesa de professor na casa de um fazendeiro durante seis meses, depois ia para outra fazenda, depois para outra, e para mais outra… Após uns quatro anos de andanças, lá vinham o professor e sua escola novamente. Nesse intervalo, muitas novas crianças já tinham chegado à idade de iniciar seus estudos, (só lá em casa já tinha mais quatro) e os que já a haviam frequentado seguiam se aperfeiçoando de onde haviam parado na última vez em que a escola ali tivesse funcionado.
Depois de mais de 50 anos, eu conheci o paradigma da complexidade, constatando que o modo como se vivia naquela época, naquela fazenda e naquela escola, tem muito a ver com esse modelo.

Para a Teoria da Complexidade, há conectividade, interação e integração de tudo no universo. Naquela época, eu já vivia essa complexidade, por conta do contato íntimo com a natureza que a vida na fazenda propiciava. Hoje, mantém-se vivo o gosto pelas imagens de animais e da natureza em geral, principalmente de aves. As caçadas daquela época, entretanto, quando a baladeira (estilingue) e a espingarda eram meus companheiros inseparáveis, foram substituídas por caminhadas fotográficas, propiciando experiências de contemplação na companhia de uma câmera fotográfica. Agora, abro o coração para a observação e admiração do belo que existe na vida, principalmente nas experiências que envolvem o contato com a natureza, e imediatamente sinto alargar-se o campo de visão e de geração de significados.

Se, na infância, meu tempo livre era mais dedicado às caçadas, agora, boa parte se destina à participação dessas caminhadas, nas quais vivencio significativas experiências que, cada vez mais, agudizam minha sensibilidade para a contemplação e melhoram a qualidade dos meus relacionamentos.
Ralei muito, estudei em colégio público, caminhava a pé até colégio, três quilômetros para ir e três para voltar, porque não tinha dinheiro para pagar o ônibus. Cansei de ficar deitado até o meio dia, não por preguiça, mas tentando dormir mais um pouco para enganar a fome, pois não tinha dinheiro para pagar o café da manhã. Ao meio dia eu ia almoçar na pensão, que, no final do mês, meu pai mandava o dinheirinho contado para pagar.

Mas, fui o terceiro lugar geral no vestibular para a área de humanas e me formei em Economia. Fui um dos primeiros a trabalhar com computação no Ceará. Quando terminei a faculdade, eu já era Analista de Sistemas, formado pela IBM. Tanto que no mês seguinte, aos 25 anos, eu já era professor do Departamento de Computação da Universidade Federal do Ceará (fui professor da primeira turma de Computação do Ceará. Na época, chamava-se Processamento de Dados), onde fui professor durante 35 anos. Trabalhei também, ao mesmo tempo, durante 20 anos como Analista de Sistemas no Banco do Nordeste do Brasil. Depois fiz Mestrado em Informática – Engenharia de Software, na PUC/RJ. Em 2014, terminei um Doutorado em Psicologia, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR. Vejo como o paradigma da Complexidade tem transformado a minha vida e das pessoas que participam dos meus Cursos nas Universidades (Graduação e Pós-Graduação) e em empresas. Agora resolvi levar esse paradigma e a transformação de vida que ele proporciona para mais gente. Por isso criei o site www.teoriadacomplexidade.com.br para a divulgação da Realidade Fractal e da Aplicação da Teoria da Complexidade na vida das pessoas e das Organizações.

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